terça-feira, 31 de maio de 2011
uma despedida
segunda-feira, 16 de maio de 2011
niagara / mississippi




domingo, 3 de abril de 2011
I don't like to look at myself
Werner Herzog, em entrevista na GQ:
segunda-feira, 28 de março de 2011
emilia e julio, julia e emilio
sexta-feira, 18 de março de 2011
sobre a água
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
precursor velado
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
e talvez por isso se conte tanto
"Contar deforma, contar os fatos deforma os fatos e os tergiversa e quase os nega, tudo o que se conta passa a ser irreal e aproximado embora seja verídico, a verdade não depende de que as coisas tenham sido ou acontecido, mas de que permaneçam ocultas e sejam desconhecidas e não contadas, enquanto se relatam ou se manifestam ou se mostram, mesmo que seja no que parece mais real, na televisão ou no jornal, no que se chama realidade ou vida ou vida real até, passam a fazer parte da analogia e do símbolo, já não são fatos, mas se transformam em reconhecimento. A verdade nunca resplandece, como diz a fórmula, porque a única verdade é a que não se conhece nem se transmite, a que não se traduz em palavras nem em imagens, a encoberta e não averiguada, e talvez por isso se conte tanto ou se conte tudo, para que nunca tenha ocorrido nada, uma vez que se conta."
Javier Marías, Coração tão branco, 1991
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terça-feira, 25 de janeiro de 2011
dia de sol

segunda-feira, 29 de novembro de 2010
perder a cabeça
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"Fiz em 1914 meu primeiro busto de observação. Era meu irmão que posava. Meu pai era pintor. Eu tinha visto a reprodução de pequenos bustos sobre uma base e imediatamente tive vontade de fazer igual. Meu pai me comprou plastilina, e comecei. De início, senti um prazer extremo e tive a impressão de que a coisa viria bem facilmente, de que eu conseguiria fazer mais ou menos o que via -- ainda tenho o pequeno busto em casa. Cinquenta anos depois, é curioso confessar que, há dois dias, estou tentando fazer a cabeça daquela época, como em 1914, mais ou menos da mesma dimensão que a primeira, e enquanto em 1914 eu tinha a impressão de fazer o que queria, agora não consigo mais.
Será que é psicológico? Não sei. Mas, desde então, nunca mais consegui fazer uma cabeça simplesmente como a vejo, no sentido mais primário. Se vejo uma cabeça de muito longe, tenho a ideia de uma esfera. Se vejo bem de perto, ela deixa de ser uma esfera para se tornar uma complicação extrema em profundidade. A gente entra no indivíduo. Tudo parece transparente, a gente vê através do esqueleto.
A impossibilidade principal é apreender o conjunto e o que se poderia chamar detalhes. Assim, só penso nos olhos. [...] Sim, para esculpir bastaria essencialmente esculpir os olhos. [...] Tenho a impressão de que se conseguisse copiar só um pouquinho -- aproximadamente -- um olho, eu teria a cabeça inteira. [...] Não penso diretamente no olhar, mas na forma do olho. Se eu aprendesse a forma do olho, isso daria provavelmente algo que se assemelharia ao olhar! Sim, toda a arte consiste talvez em conseguir situar a pupila. O olhar é feito pelo que está em torno do olho. Mas a dificuldade para expressar realmente esse "detalhe" é a mesma que para traduzir, para compreender o conjunto. Se olho você de frente, esqueço o perfil. Se olho o perfil, esqueço a face. Tudo se torna descontínuo. Não consigo mais apreender o conjunto. Estágios demais. Níveis demais. O ser humano se torna complexo. E nessa medida não consigo mais apreendê-lo."
Giacometti, numa entrevista de 1962
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